Fique livre do mundo, aproveite a dor, ame de olhos fechados e se divirta na terra.
Cazuza

sábado, 5 de junho de 2010

I don't mind where you come from..

...As long as you come to me.



Dias na Europa: 107

"And for 15 minutes, people just stared right through me. The first person who stopped, tapped me on the shoulder and told me how her dog had just died that morning. How that morning had been the one year anniversary of her only daughter dying in a car accident. How what she needed now, when she felt most alone in the world, was a hug. I got down on one knee, we put our arms around each other and when we parted, she was smiling."


"E por quinze minutos, as pessoas só me ignoraram. A primeira pessoa que parou, me cutucou o ombro e me disse que o cachorro dela tinha morrido naquela manhã. Como aquela manhã era o aniversário de um ano de morte num acidente de carro da sua unica filha. Como o que ela precisava agora, quando ela se sentia mais sozinha no mundo, era de um abraço. Eu ajoelhei, nós colocamos nossos braços envolta um do outro e quando nos separamos, ela estava sorrindo"
Juan Mann (Criador do free hugs)



Fiz algo que sempre sonhei fazer hoje. Participei junto com os meus amigos do mundo todo de uma Campanha Free Hugs.
Que é basicamente pegar um pedaço de papel, escrever as duas palavras e ir pra um lugar bem movimentado.
Nosso o objetivo foi ver como alemães reagem a efetivas manifestações de afeto, e matar nossa saudade de contato corporal..um abraco aqui, é uma coisa que você só dá em amigos muito próximos.E quanto menor o contato melhor..
Fui pra Berlin encontrar todo mundo e eu fiquei tão feliz de ver meus amigos alí, meus verdadeiros amigos.
Começamos pela Potsdamer Platz, e ali foi mais díficil.. no começo as pessoas te ignoram, ignoram mesmo. Lêem sua placa, veem o FREE bem grande ali e ignoram..
Depois de algum tempo, elas lêem sua placa e dão risada, ou encaram.. mas vão embora..
E alguns olham, riem e abrem os abraços.. ai tudoo vale a pena.




Muitas pessoas perguntaram porque estávamos fazendo aquilo, pois é. acho que essa é uma boa pergunta.
Jeremy respondeu pra muita gente: "Nur Spaß" ou Só por diversão.
Pablo disse que era pra promover o entendimento entre as nações..
Eu respondi que era apenas "für ein bisschen Liebe" ou um pouquinho de amor.
Depois fomos pro Portão de Brandenburgo imaginando que lá estaria mais cheio. E sim, estava lotado de gente do mundo todo.
Abracamos gente de todo estilo..tiramos fotos com todos os personagens que ficam por lá pra ganhar moedas..fizemos bagunça com todos os grupos..mendigamos abraços.
Uma das melhores coisas nessa coisa toda foi as conversas que eu tive..
Com a jovem senhora de Orlando-Flórida, que me disse: eu já fui pro Brasil e eu respondi: Eu já fui pra Orlando! Ela estava com a filha e visitando Berlin e indo pra Amsterdam comemorar a graduacão dela na faculdade.
A moça de São Francisco que disse que encontrar o Free Hugs tinha sido a coisa mais excitante da semana dela. - E eu sou casada heem?



O Alemão que chegou gritando "I love FREE HUGS! I want one!" e nos contou que foi um intercambista do Rotary em 99/00 pro México. Nosso Sênior.
Um dos dançarinos que quando ouviu que eu era do Brasil gritou: BRASILLL!!! CAPOEIRA!! e fez um passo pra gente..
E a familia de brasileiros, a mãe que me disse que era incrível o que estávamos fazendo alí hoje, a filha e o marido cidadão duplo alemão e brasileiro, marido esse que pasmem, me pergunta:
- Da onde você é no Brasil?
- Eu sou do norte do Paraná.
- Não é de Londrina não né?
Caaaraaacas, penso eu, ele conhece Londrina!!
- Nossa, exatamente, sou de Londrina!!!
- Pois é, minha mãe mora do lado de Londrina..
- Onde?
- Rolândia.

Dá pra acreditar numa coisa dessa? Os únicos brasileiros que eu ví ali.
Não conheço a mãe dele em Rolândia, mas ai seria coincidência demais.





Voltando pra casa, meus amigos me levaram até a porta do trem, porque eu fui a primeira a ir embora..
Depois que embarquei fiquei fazendo micagens pelo vidro..peguei meu cartaz, abri e mostrei pra eles..
Foi quando eu percebi que tinham duas pessoas rindo de nós..
Um cadeirante com algum tipo de dificuldade mental, mas bem leve..e o acompanhante dele.
Quando eu percebi que eles estavam rindo virei o cartaz pra eles, e o cadeirante virou pro amigo e traduziu pra alemão..
Ai eu tive o reflexo, meus amigos todos ali olhando pelo vidro, e falei em ingles: alguém quer um? Os dois sorriram.
E nada importou ali. Nada. Nenhuma nacionalidade, nenhuma língua, nenhuma diferença física ou mental.
Abraços não precisam de tradução.
Do lado de fora, todos estavam aplaudindo..
Eu sinto que vivi algo importante pra mim hoje, algo grande. Algo que fez bem pra alma.
Eu estou descobrindo que pessoas são só pessoas. E isso é que é o incrível.
Meu trem partiu e eu ví meus amigos correrem junto ele até que não conseguissem mais. Mas pra agente adeus não existe. Até logo existe.



Abraçamos Berlin hoje.
E foi demais.

6 comentários:

  1. Parabéns, Giulia.
    Se todo mundo fizesse um pouquinho do que vocês fizeram aí, talvez nada taria do jeito que tá.
    Realmente, cria-se uma imagem de que "europeu é um povo frio", mas todo mundo é gente, como você mesma falou.
    Parabéns de verdade, continue tentando que um dia você consegue mudar um pouquinho do mundo.

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  2. Seu avô adorou esse depoimento. segundo ele, ficaria melhor se vc. trazer uma moeda de euro (ou até um pacote com notas de 100 Euros, rsrsrsrsr).
    Brincadeiras à parte, muito legal o que fizeram. Resta repetir isso mais vezes.
    Beijão do painho e do vô Luciano

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  3. Giulia me emocionei com seu relato e me coloquei em seu lugar, distante de nossa terra, numa cultura que entendemos "fria", numa língua difícil e você se esforçando para esquentar um pouco estes meus ancestrais. Abraços que representam para você "..um pouquinho de amor" fez-me entender a distância e o valor que pouco damos quando estamos com o nosso povo, amigos e familiares, que surpreendente, amamos acima de tudo. Então ai vai, um forte abraço e um beijo carioca, é um pouquinho de amor que desejo neste momento feliz e saudoso de sua vida!

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  4. Filha
    Já disse que além de lindo é muito solidário tudo isso que fizeram.
    Mais uma vez vc me enche de orgulho por ser tão sensível.
    Continue vivendo tudo intensamente. Vc merece.
    E eu te amo mais ainda por tudo isso.
    Beijo

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  5. Giulia... adorei teu blog! A matéria do free hugs está muuito legal! Siga teus sonhos pois eles movem teu coração. Grande beijo jaiminho.

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