Fique livre do mundo, aproveite a dor, ame de olhos fechados e se divirta na terra.
Cazuza

quinta-feira, 29 de abril de 2010

The time of your lifes



Dias na Europa: 70
Me Desculpem se esse post não ficar claro o suficiente, é porque eu não sei o que estou sentindo, não sei exatamente o que escrever.
Mas como me disse meu novo amigo francês, Baptiste, “It’s really difficult to find something to write but it doesn’t mean I’ve nothing to say” ou, `É muito difícil achar algo pra escrever, mas não significa que eu não tenha nada pra dizer”
Voltei ontem do Eurotur. A maior viagem da minha vida. Em todos os sentidos que essa frase possa ter, a maior em número de países, em dias seguidos, em números de participantes e nacionalidades e maior em importância, pelo menos pra mim.
Eu acho que quase posso comparar-la com as minhas duas semanas na Disney três anos atrás. A Disney tinha o titulo de melhores duas semanas da minha vida, mas ele foi substituído pelos últimos 17 dias.
Nos encontramos na Ostbahnhof (estação de trens) de Berlin. E já tomei sustos porque tinha gente do meu distrito que eu ainda não conhecia.. Apesar de termos nos encontrado em Föhr.
De primeira impressão me senti meio deslocada.. porque em Föhr fiz mais amizade com o pessoal do distrito de Hamburgo, que não estavam ali..
Mas isso passou 15 minutos depois.
Nossa primeira parada foi Dresden, uma Cidade que eu honestamente nunca tinha nem ouvido falar..Dresden tem um centro histórico muito bonito..Igrejas, palácios, museus.. o primeiro dia não estava tão bonito e um pouco gelado, então quando o sol apareceu no fim da tarde foi ótimo..
O Rotary planeja o Eurotur pra que nós vejamos os pontos turísticos todos juntos.. normalmente de manhã e de tarde nos deixa livre pra fazermos o que quisermos..desde que você volte pra encontrar o grupo no horário determinado..
Ficamos ali passeando pelas construções antigas e depois deitados na grama na beira do rio.
Depois de Dresden pegamos um Barco que nos levou até a metade do caminho até Praga. Tinha paisagens muito lindas.. mas demorou uma eternidade..Subimos no busão e duas ou três horas depois estávamos em Praga.
Praga era um ponto de interrogação pra mim também, menos que Dresden, mas o que eu já tinha visto de Praga era algumas fotos que a minha amiga Rhuane tinha tirado algum tempo atrás quando ela foi lá, e sabia que era linda, porque ela tinha falado muito sobre a cidade.
Mas tive uma surpresa! Praga não é parte da união européia. Então o dinheiro é diferente e um Euro vale 23 Coroas Tchecas. Imagine nós, estrangeiros, não sabendo dizer nem oi em tcheco, e com algo como 1200 Coroas Tchecas na mão? DIVERSÃO!
Eu dei uma de tradutora, porque toda vez que alguém tinha que pedir alguma coisa, todo mundo fazia em alemão,acostumados a ligar a chavinha da lingua extrangeira na cabeça e o que saia era alemão, e em praga ninguém fala alemão..
Praga é demais. O centro histórico é impressionante..e é como Olinda e Recife, fica lá no alto, então quando você olha a vista vê toda a cidade lá em baixo.. e vê construções barrocas espalhadas por toda a cidade.
Na primeira noite fomos em um pequeno grupo procurar o que fazer, acabamos dentro de um Pub tomando cerveja Tcheca ( uma delicia, e eu não gosto de cerveja hem?) e o Ray e o Jeremy experimentando a bebida típica, Absinto, hahahaha. Foi engraçado, o Jeremy ficou vermelhinho!
Quando saímos do pub, o pessoal de uma festa nas redondesas começou e soltar fogos de artifício e nós assistimos eles estourarem em cima do rio.
AHHHH PRAGA.
Depois de Praga, Viena.
Viena foi o lugar que gostei menos, não, não que eu não tenha gostado.. eu só gostei menos, porque todo mundo fala alemão, e tudo é bem parecido com a Alemanha, fomos a um castelo, e a um palácio, e de noite num bar.. Dessa vez tomar cerveja Austrica. (eu ainda prefiro a Tcheca)
De Viena a Veneza,
Todo mundo estava muito empolgado com a Itália, muito! Você podia sentir isso já no ônibus. Todo mundo aplaudiu quando cruzamos a fronteira e vimos as placas em italiano!
Nosso hotel não era exatamente em Veneza, e sim numa cidade ao lado, seria meio problemático ir de ônibus até lá..A cidade ficava na beira da praia, uma prainha feia, e gelada .. mas o que importava era que estávamos na Itália, Grazie! Pasta! Pizza! Sonno Affamato! Bonacera! Ficavos gritando italiano uns pros outros..
E me senti em casa quanto a comida pela primeira vez em dois meses, os italianos sabem o que fazem quando estamos falando de comida. A pasta que comemos no hotel estava maravilhosa..e eu não sei o que fazer, já que gelatos italianos só existem na Itália. Meu pai ficaria louco.
Ahh eu amo, AMO comida italiana.
Eu achava que Veneza era superestimada. Não é. Apesar de estar lotada de turistas e parecer um Paraguai europeu, eu amei Veneza, a cidade é um charme.. os canais, as pontezinhas, umas ruelinhas que você não diria ter nada do outro lado e acabam na Piazza San Marco.
Depois de andar o dia todo em Veneza, tive que ir lavar minha roupa numa dessas lavanderias 24 horas, e quase, quase, nos perdemos em uma cidade qualquer no meio da Italia.
Depois de Veneza, Roma.
Roma foi quase que inteiramente dedicada ao Vaticano, o que pra mim não foi a escolha mais interessante, sinceramente,um lugar onde não se pode fazer nada, se passa por quinhentos detectores de metal, não se pode falar alto, sentar no chão e que em alguns lugares nem tirar fotos, fiquei sentindo que podia estar em outros lugares algumas vezes, mas não quero me arrepender de nada.
Impagável foi ser expulso da capela sistina. Não só eu, mas o grupo todo. HAHAHAHAHA Aparentemente Deus não gosta de fotos. (nem das sem flash)
Nós decidimos ir pra todos os lugares de Roma que o Rotary não nos levou no nosso tempo livre e como somos intercambistas pobres, a pé. Fontana de La Trevi, Coliseu, Panteon.. O que me rendeu três bolhas em cada pé, e muita dor no fim do dia.
Mas mesmo com as bolhas, fomos a um bar logo ali as redondesas do hotel, pra dançar, e quando chegamos lá, era musica brasileira.. Ahh minha noite foi maravilhosa.
Roma era definitivamente o lugar mais cheio de todos. Muita gente mesmo. E nós não estávamos em temporada. Em julho aquilo deve ser um terror. Heheheh
Nas fotos de Roma estou com a bandeira do Brasil nas costas o tempo todo, isso porque os brasileiros se acham. Vieram falar comigo nesse dia pelo menos uns 6. Isso quando agente não ouvia no meio da galera alguém falar “Nossa! Que bandeira bonita!”
E então voltamos pra Austria. Fomos parar numa cidadezinha que se chama Innsbruck, que vale a pena pelas lindas montanhas nevadas que a cercam e que guarda um tesouro brilhante: A fabrica da Swarovski.
Eles tem um museu muito psicodélico que agente pode visitar e dentro dele a parede mais cara do mundo..feita de Brilhantes. O sonho de qualquer mulher.
Depois fomos até Nesselwang, no castelo Neuschwanstein, o que inspirou a Disney a construir o castelo da cinderela..é incrível que castelos existam de verdade.. Não são apenas parte dos contos de fada que você escuta quando criança.
Depois de Nesselwang, Munique.
Munique é considerado o lugar mais Alemão da Alemanha. Na Bavaria parece que todo dia é Oktoberfest. As pessoas andam na rua com as roupas típicas, sem brincadeira. E se toma muita, muita cerveja.
Eu achei que Munique não tivesse tantas construções antigas, mas tem. Muitas, e a cidade é realmente, muito bonita. Era domingo e tudo estava fechado, mas é claro, a cervejaria estava aberta.. então fomos lá e os meninos tomaram cerveja de um litro.. eu só tomei uma de 500 ml.
Munique passou rápido demais, e todo mundo já estava começando a ficar triste porque sabiam que o fim estava próximo.
Berlin voou. Fomos ao Reichstag, foi interessante, eles mantém uma obra de arte de cada pais a qual a Alemanha pertencia antes, Rússia, Franca, Eua e Inglaterra.
E na última noite, só se via gente escrevendo nos caderninhos de todo mundo, mensagens pros amigos eternos que todos tinham acabado de fazer. Como não tivemos horário pra voltar pro hotel, fizemos uma festa na frente do Reichstag até 1:30 da manhã, quando ligaram os esguichos de aguar as plantas, e nós fomos embora.
Tenho que ressaltar uma coisa, apesar de todos os lugares que eu conheci, muitos deles lugares que eu sempre quis ir, a melhor parte dessa viagem foi conhecer as pessoas que eu conheci.
Eu posso dizer que eu tenho um amigo em cada lugar do mundo, e aqui os relacionamentos são tão intensos, que eu senti como se estivesse indo pro aeroporto outra vez. Como se tivesse deixado um pedaço do meu coração pra trás.
Quando você é um intercambista precisa tanto de amigos e aceitação que quando acha alguém que está vivendo a mesma situação que você é como se tudo que você já viveu se apagasse, tudo que você passou não importasse mais. Nessas duas semanas eu entrei numa máquina do tempo, eu não sabia que dia era, que horas eram, nós estávamos numa duvida muito grande de estávamos numa quinta, sexta, ou sábado em Veneza.
Ninguém queria voltar pra sua vidinha ontem, as pessoas que já estão aqui a oito, nove meses me disseram que já estão prontas pra ir pra casa.. Eu me senti bem sozinha por saber que todos os meus amigos vão e eu vou ficar. Ter chegado em fevereiro me faz ter que me despedir duas vezes. E eu odeio despedidas.

Lar é onde o coração está. Eu tenho lares no mundo todo.

Ps. O francês e uma americana roubaram um anão de jardim, e levaram na viagem, tiramos fotos com ele em todos os lugares, Schnitzel retornará ao seu jardim em pouco tempo, mas antes revelarão todas as fotos com ele, colocarão num envelope, tocarão a campanhia e sairão correndo.
Ps 2. Comprei uma camiseta de cada Hard Rock do caminho, eu disse que teria do máximo de lugares que pudesse.
Ps 3. se quiserem ver mais fotos, entrem no meu orkut ou facebook.